jueves, 10 de noviembre de 2016

Sobre a Divina Liturgia de São Tiago, o Irmão do Senhor


O «Rito de Jerusalém» é a liturgia mais antiga da cristandade. Tornou-se célebre por ter sido o esboço e o início do desenvolvimento dos vários ritos litúrgicos, particularmente no Oriente. Originalmente, foi a liturgia local de Jerusalém e não outra a liturgia celebrada por São Tiago, primeiro bispo de Jerusalém e o “irmão do Senhor”.

Evidências históricas de suas origens estão até mesmo no próprio texto. Por exemplo, uma clara alusão aos lugares sagrados de Jerusalém aparece após a Epíclese:

«Oferecemos-te ó Senhor, por teus santos lugares, que glorificaste com aparições divinas de teu Cristo e pela vinda do teu Espírito Santo, especialmente a santa e gloriosa Sião -, na linguagem cristã originária, referia-se sempre à Igreja local de Jerusalém -, mãe de todas as Igrejas».

Temos evidências posteriores nos Discursos Catequéticos de São Cirilo de Jerusalém, do ano 348, na Igreja do Santo Sepulcro. É óbvio que descrevam a Liturgia como era conhecida por seus ouvintes, e é também evidente que a Liturgia de São Cirilo é a que agora conhecemos como de São Tiago.

A liturgia atribuída a São Tiago propagou-se através do Patriarcado de Jerusalém. Vale lembrar que, até o Concílio de Éfeso, Jerusalém pertencia ao Patriarcado de Antioquia. Assim, a Liturgia de São Tiago tornou-se a Liturgia de Antioquia, tomando o lugar do Rito das Constituições Apostólicas. Foi adotada sem qualquer alteração em Antioquia (a referência a “Santa e gloriosa Sião” foi mantida sem alteração) e imposta com nova autoridade, agora de Igreja Patriarcal. Os ortodoxos usaram este rito na versão grega ser substituído pelo Rito de Constantinopla, por volta do século XII.

Atualmente, o antigo rito de Jerusalém é usado, em siríaco, pelos "jacobitas" e pelos siríacos católicos; também, na versão siríaca modificada, pelos maronitas. A versão grega foi reintroduzida pelos ortodoxos em Jerusalém uma vez ao ano – dia 31 de dezembro, festa da Divina Liturgia de São Tiago. Hoje, além de seu valor histórico, é uma oportunidade aos cristãos modernos de beber e serem formados pela fonte original da piedade litúrgica que inspirou, de um ponto para outro, todas as famílias litúrgicas.